A promulgação da emenda constitucional que põe fim à escala de trabalho 6×1, ontem (16), em Brasília, acendeu o alerta entre representantes do setor empresarial de Mato Grosso. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-MT) e a Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado (Facmat) manifestaram preocupação com os impactos da mudança sobre os custos operacionais, a competitividade dos negócios e a manutenção dos empregos, especialmente nas micro e pequenas empresas.
As duas entidades reconhecem a importância de melhorar as condições de trabalho e a qualidade de vida dos trabalhadores, mas avaliam que a alteração nas regras trabalhistas exige maior aprofundamento técnico e atenção às diferentes realidades econômicas do país. Também criticam a condução do debate em período eleitoral e defendem o diálogo entre empresários, trabalhadores e poder público.
A Emenda Constitucional nº 141/2026, promulgada pelo Congresso Nacional, estabelece a substituição da escala de seis dias de trabalho por um de descanso pelo modelo de cinco dias de trabalho e dois de folga remunerada, sem redução salarial. A implementação será gradual, com redução da jornada máxima de 44 para 42 horas semanais após 60 dias e, posteriormente, para 40 horas, ao longo do período de transição de 14 meses.
Em Mato Grosso, a preocupação do setor empresarial está relacionada principalmente à necessidade de reorganização das escalas de trabalho em atividades que dependem de atendimento contínuo ou funcionamento aos finais de semana, como supermercados, lojas, restaurantes, hotéis e estabelecimentos prestadores de serviços.
Presidida por Tião da Zaeli, a Fecomércio-MT acompanha o posicionamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e alerta que a redução da jornada poderá exigir mudanças na gestão de pessoal, adequações operacionais e aumento das despesas das empresas.
A avaliação é de que os efeitos da nova legislação não serão uniformes. Negócios de menor porte, com equipes reduzidas e menor capacidade financeira, poderão enfrentar dificuldades adicionais para reorganizar o atendimento e manter suas atividades sem comprometer os custos.
A Facmat compartilha dessa preocupação e destaca as particularidades da economia mato-grossense, marcada pela presença de pequenos empreendedores, pela interiorização das atividades econômicas e pela integração do comércio com os setores de serviços, construção civil, logística e cadeias produtivas ligadas ao agronegócio.
Para a entidade, uma mudança ampla nas relações de trabalho precisa considerar que muitos desses segmentos dependem de escalas flexíveis e de funcionamento contínuo para atender à demanda dos consumidores.
O impacto tende a exigir atenção especial nos municípios do interior, onde pequenos estabelecimentos possuem estruturas mais enxutas, menor disponibilidade de mão de obra e margens financeiras que podem dificultar novas contratações.
CRÍTICAS AO DEBATE ELEITORAL – Outro ponto de convergência entre as duas federações é a crítica à condução da discussão sobre o fim da escala 6×1 durante o período eleitoral.
Na avaliação das entidades, uma alteração estrutural nas relações de trabalho deveria ser precedida de estudos mais aprofundados sobre os impactos econômicos e de maior participação dos representantes do setor produtivo.
A Fecomércio-MT sustenta que decisões dessa dimensão não devem ser utilizadas como instrumento político-eleitoral, enquanto a Facmat considera que o avanço da proposta ocorreu sem o debate técnico necessário para avaliar suas consequências, principalmente para os pequenos negócios.
Apesar das ressalvas, nenhuma das entidades contesta a importância da valorização dos trabalhadores. A preocupação está concentrada nas condições de adaptação das empresas e na necessidade de conciliar os novos direitos com a sustentabilidade das atividades econômicas.
NEGOCIAÇÃO E ADAPTAÇÃO – Como alternativa para enfrentar os desafios da nova jornada, a Fecomércio-MT defende a negociação coletiva, com participação dos representantes de empregadores e trabalhadores, respeitando as particularidades de cada segmento e as condições econômicas regionais.
“Nosso compromisso é com a valorização dos trabalhadores, a segurança jurídica e o fortalecimento das empresas”, afirmou a federação em manifestação pública.
Já a Facmat ressalta a necessidade de investimentos em produtividade, qualificação profissional e fortalecimento do ambiente de negócios, de forma que a redução da jornada seja acompanhada de condições para preservar a competitividade e a geração de renda.
Com a promulgação da emenda constitucional, o debate passa agora da aprovação legislativa para a adaptação às novas regras. Para as entidades empresariais de Mato Grosso, o principal desafio será conciliar a ampliação do tempo de descanso dos trabalhadores com a continuidade das atividades comerciais, a capacidade financeira das empresas e a preservação dos postos de trabalho.
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O post Fim da escala 6×1 preocupa comércio de MT; entidades alertam para aumento de custos e risco aos empregos apareceu primeiro em MT Econômico.




















