Entre pagar as contas, controlar o cartão de crédito e conseguir guardar dinheiro no fim do mês, milhões de brasileiros enfrentam um desafio que vai além do orçamento doméstico: aprender a administrar os próprios recursos e construir segurança financeira para o futuro. Em um cenário econômico marcado pelas oscilações dos preços, pelo endividamento das famílias e pela diversidade de produtos disponíveis no mercado, a educação financeira se torna uma ferramenta fundamental para transformar hábitos de consumo em oportunidades de investimento.
O assunto ganha destaque durante a Semana Mundial do Investidor 2026, realizada de 5 a 11 de outubro, iniciativa internacional que incentiva a conscientização financeira, a proteção dos investidores e a tomada de decisões responsáveis.
Em entrevista ao MT Econômico, o assessor de investimentos do Sicredi Ouro Verde MT/PA, Lucas Roberto Silva dos Santos, explicou que investir não significa simplesmente escolher uma aplicação com maior rentabilidade. Antes de qualquer decisão, é necessário compreender a própria realidade financeira, identificar objetivos e avaliar os riscos envolvidos.
Primeiro passo: identificar o seu perfil de investidor
“Dentro de um mercado com tantos produtos, o perfil de investidor é o primeiro passo. Precisamos entender qual é a capacidade e a disposição da pessoa para correr riscos. Não existe investimento bom para todo mundo”, destacou Lucas ao MT Econômico.
Segundo o especialista, existem três perfis principais de investidores: conservador, moderado e arrojado. O conservador prioriza segurança, liquidez e previsibilidade. O moderado admite determinados riscos em busca de retornos maiores, enquanto o arrojado demonstra maior tolerância às oscilações do mercado e costuma trabalhar com objetivos de longo prazo.
Lucas ressalta, entretanto, que não existe uma trajetória obrigatória entre esses perfis. Uma pessoa pode permanecer conservadora durante toda a vida ou modificar sua estratégia conforme as necessidades familiares, a experiência adquirida e a evolução do patrimônio.
Educação financeira começa antes do primeiro investimento
Para o assessor, um dos principais obstáculos à formação de novos investidores está relacionado ao comportamento financeiro. O hábito de gastar toda a renda, a ausência de planejamento e o uso descontrolado do crédito dificultam a construção de reservas.
Ele observa que parte dessa relação com o dinheiro também possui raízes históricas. As gerações que enfrentaram períodos de inflação elevada e instabilidade econômica desenvolveram comportamentos de consumo que, em alguns casos, continuam influenciando as decisões financeiras das famílias.
“Primeiramente, é preciso ter consciência de que estou gastando mais do que ganho. A partir disso, vamos trabalhar os comportamentos para resolver essa situação sem prejudicar o padrão de vida. O importante é ter controle de quanto dinheiro está entrando e para onde ele está indo”, disse Lucas ao MT Econômico.
O especialista explica que a organização financeira não exige necessariamente ferramentas sofisticadas. Uma planilha, um aplicativo ou mesmo um caderno podem ajudar a identificar despesas desnecessárias, estabelecer limites e criar condições para poupar.
A mudança também não significa eliminar completamente os momentos de lazer ou as pequenas realizações pessoais. Para Lucas, o equilíbrio é mais eficiente do que a adoção de restrições extremas.
Lucas Roberto Silva dos Santos, assessor de investimentos do Sicredi MT/PA – Foto: MT Econômico
Quatro etapas para organizar o futuro financeiro
Durante a entrevista, Lucas apresentou uma estratégia que costuma utilizar nas orientações aos associados do Sicredi: a divisão do planejamento financeiro em quatro etapas, que ele chama de “quatro caixinhas”.
A primeira é a reserva de emergência, destinada a proteger a família diante de situações inesperadas, como desemprego, problemas de saúde ou redução da renda.
Para trabalhadores com carteira assinada, ele recomenda uma reserva equivalente de três a seis meses de despesas essenciais. Já para profissionais autônomos, empresários e trabalhadores com renda variável, o planejamento deve considerar um período maior, começando por seis meses.
A segunda etapa envolve a previdência privada, apresentada como alternativa de planejamento complementar para a aposentadoria. A terceira é voltada à realização de sonhos e objetivos específicos, como a aquisição de um imóvel, uma viagem ou a formação de recursos para projetos pessoais.
Somente na quarta etapa entram outras estratégias de investimento destinadas à acumulação e à diversificação patrimonial, sempre considerando as condições financeiras e o perfil de cada pessoa.
“É importante não pular etapas, porque, se você começa a investir em ativos voláteis, às vezes por uma recomendação que viu em uma rede social, pode acabar se frustrando com o mercado financeiro. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura”, alertou o assessor.
Investir não significa necessariamente entrar na Bolsa de Valores
Outra dúvida frequente entre os brasileiros é a ideia de que investir exige comprar ações ou assumir riscos elevados comprando ativos direto na Bolsa de Valores sem orientação. Lucas esclarece que o mercado financeiro oferece diferentes alternativas, inclusive para quem deseja preservar o patrimônio e buscar maior previsibilidade.
No Sicredi, os associados encontram orientação especializada e diversas opções para rentabilizar e preservar seu dinheiro, como Recibos de Depósito Cooperativo (RDC), Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), fundos de investimento e acesso ao mercado de renda variável por meio de plataformas especializadas.
Cada modalidade possui características próprias de rentabilidade, liquidez, tributação e risco, que precisam ser avaliadas antes da aplicação.
“Não existe uma obrigação de ir para ações ou investimentos de renda variável. Tudo depende dos objetivos daquela pessoa e do que ela pretende para a família, para a empresa e para a realidade dela”, explicou Lucas.
As carteiras recomendadas também funcionam como referências para auxiliar na escolha dos ativos, mas não substituem a análise individualizada. Segundo o assessor, o investidor deve compreender os produtos antes de decidir onde aplicar seus recursos.
Informação e planejamento fortalecem a economia das famílias
Na avaliação do especialista, ampliar o acesso à educação financeira é um passo importante para melhorar a relação dos brasileiros com o dinheiro. O conhecimento permite reduzir decisões impulsivas, administrar dívidas, planejar o consumo e construir patrimônio de maneira gradual.
Essa orientação também ganha relevância diante da facilidade de acesso a conteúdos sobre investimentos nas redes sociais. Embora a tecnologia tenha democratizado informações sobre o mercado, ela também exige maior atenção às promessas de ganhos rápidos e às recomendações incompatíveis com a realidade financeira de cada investidor.
Lucas destaca que o acompanhamento especializado pode contribuir para decisões mais conscientes, especialmente entre pessoas que estão começando a investir ou pretendem diversificar seus recursos.
O Sicredi Ouro Verde MT/PA disponibiliza atendimento por meio de seus gerentes e da assessoria de investimentos, além de informações sobre produtos financeiros e ferramentas de simulação.
“Hoje, todo investimento que você faz pode ter uma assessoria especializada do seu lado, ajudando antes de tomar qualquer decisão sozinho. Não se sinta desamparado com tantas informações no mercado. Converse com seu gerente e acione a assessoria de investimentos”, finalizou Lucas ao MT Econômico.
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