O Dia Mundial do Ovo chega à sua 30ª edição nesta sexta-feira, 9 de outubro, em meio a um cenário de expansão histórica para a avicultura brasileira. Criada em 1996 pela International Egg Commission (IEC) para conscientizar a população sobre a importância nutricional desse superalimento, a data comemorada sempre na segunda sexta-feira de outubro coincide com projeções de colheita recorde.
Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a produção nacional deve atingir a marca inédita de 64,8 bilhões de unidades, um volume 4,1% superior ao ano anterior. Traduzida para o cotidiano, essa engrenagem equivale a impressionantes 2 mil ovos gerados por segundo nas granjas do país.
Em Mato Grosso, a celebração ganha contornos de potência econômica de mercado. Impulsionado por estar inserido no maior cinturão de soja e milho do país — o que reduz drasticamente os custos com a ração das aves —, o estado consolidou-se como um parceiro estratégico da engrenagem nacional de alimentos. Conforme os dados consolidados da Produção da Pecuária Municipal (PPM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o grande motor da atividade no estado é o município de Primavera do Leste, que se consolidou como o 4º maior polo de produção de ovos do Brasil, com 117 mil dúzias de ovos.
Fonte: IBGE
A estrutura automatizada das granjas de Primavera do Leste colocou o interior mato-grossense em um topo historicamente dominado por tradicionais polos do Sudeste e Nordeste.
O ranking nacional do IBGE continua liderado de forma isolada por Santa Maria de Jetibá (ES) — dono de um plantel recorde de 15,1 milhões de galinhas poedeiras —, seguido por Bastos (SP) e São Bento do Una (PE).
CONSUMO EM ALTA E EXIGÊNCIA DE BIOSSEGURIDADE – A consolidação do alimento na rotina das famílias acompanha um salto no consumo. A expectativa da ABPA é que o brasileiro consuma, em média, 301 ovos ao longo do ano, uma alta de 4,5%. Esse avanço desafia os comitês técnicos a combinarem produtividade com rigorosos protocolos sanitários. Com o mercado diversificado — incluindo desde os tradicionais brancos e vermelhos até ovos caipiras, orgânicos, processados líquidos e cascas naturalmente azuladas —, a saúde animal tornou-se a palavra de ordem nos galpões.
“O crescimento da produção e do consumo mostra a importância que o ovo conquistou na alimentação e reforça a responsabilidade de toda a cadeia produtiva. Para acompanhar essa evolução, precisamos continuar avançando em saúde animal, prevenção, biosseguridade, manejo e tecnologia”, explica Josias Rodrigo Vogt, Gerente de Serviços Técnicos de Aves da Zoetis Brasil.
Especialistas do setor alertam que a biosseguridade nas granjas possui caráter essencialmente preventivo e deve fazer parte da rotina diária das aves, independentemente da circulação de vírus ou enfermidades na região. O manejo sanitário rígido e os programas de vacinação contínua reduzem os riscos de perdas em lotes de postura e garantem que as linhagens expressem seu potencial genético máximo, assegurando o abastecimento seguro das gôndolas dos supermercados.
Foto: Mapa
MITOS E VERDADES SOBRE O OVO:
Diferença nutricional entre ovo branco e vermelho – É mito. De acordo com as diretrizes de rotulagem do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), a cor da casca é determinada estritamente pela linhagem ou raça da galinha. Os ovos convencionais brancos e vermelhos possuem exatamente a mesma composição e valor nutricional.
A origem dos ovos azulados – Trata-se de uma característica puramente genética. Algumas raças específicas de aves depositam naturalmente pigmentos na casca durante o processo de formação no oviduto, gerando tonalidades azuladas sem qualquer interferência de aditivos ou anabolizantes.
O impacto da saúde das aves – Enfermidades e estresse térmico comprometem diretamente a contratualização da gema e a espessura da casca. Cuidados com a climatização dos aviários e nutrição balanceada são vitais para que a casca não quebre antes de chegar ao consumidor final.
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