O mercado imobiliário de Cuiabá alcançou, no terceiro trimestre de 2026, o maior volume financeiro trimestral desde o início da série histórica, em 2015. Entre julho e setembro, foram movimentados R$ 1,83 bilhão em transações imobiliárias, crescimento de 25,5% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o valor registrado foi de R$ 1,46 bilhão.
Os dados são de pesquisa do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais, Comerciais e Condomínios de Mato Grosso (Secovi-MT), em parceria com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso (Fecomércio-MT), com base nas guias do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) da Secretaria Municipal de Fazenda de Cuiabá.
Apesar do avanço financeiro, o número de imóveis negociados recuou. Foram 3.472 unidades no terceiro trimestre deste ano, ante 3.800 no mesmo período de 2025, uma redução de 8,63%. A diferença entre os indicadores revela que o recorde de movimentação ocorreu mesmo com menos transações.
O valor médio por imóvel chegou a R$ 528,3 mil, alta de 37,35% em comparação aos R$ 384,6 mil registrados um ano antes. O resultado indica aumento do valor médio dos negócios e é compatível com uma maior participação de imóveis de médio e alto padrão no volume financeiro do período.
Na comparação com o terceiro trimestre de 2015, quando a movimentação foi de aproximadamente R$ 631,6 milhões, o valor nominal transacionado cresceu 190,46%. Esse cálculo não considera a inflação acumulada no intervalo.
FINANCIAMENTO – O crédito imobiliário também apresentou crescimento. O volume efetivamente financiado somou R$ 468,4 milhões entre julho e setembro, avanço de 17,61% em relação ao terceiro trimestre de 2025, quando foram registrados R$ 398,3 milhões.
Esse montante correspondeu a 25,54% do valor total movimentado no mercado imobiliário cuiabano no período. A pesquisa aponta que os outros R$ 1,36 bilhão foram provenientes de recursos próprios ou de parcelamentos diretos, sem financiamento bancário contabilizado nesse indicador.
Ao todo, 1.486 imóveis tiveram operações de crédito no trimestre, o equivalente a 42,8% das unidades negociadas. Considerando o Valor Geral de Vendas (VGV) dos imóveis associados a essas operações, o montante chegou a R$ 701,3 milhões, crescimento de 18,56% em relação aos R$ 591,5 milhões registrados no mesmo período de 2025.
REGIÃO LESTE LIDERA EM VALOR; OESTE EM VENDAS – A distribuição regional mostra diferenças no comportamento do mercado. A Região Leste liderou em volume financeiro e valor médio por imóvel, enquanto a Região Oeste registrou a maior quantidade de unidades negociadas.
A Região Leste movimentou R$ 596 milhões, o equivalente a 32,49% do total da capital. Foram 915 imóveis transacionados, com valor médio de R$ 651,4 mil, alta de 23,61% em relação ao terceiro trimestre do ano passado. Entre os destaques estão os condomínios Belvedere I e II, na Área de Expansão Urbana Leste, com 49 unidades e R$ 71,9 milhões em negócios, além do Jardim das Américas e do bairro Santa Cruz.
Na Região Oeste, foram comercializadas 1.200 unidades, correspondentes a 34,56% do total de imóveis negociados em Cuiabá. O volume financeiro chegou a R$ 595,3 milhões. O valor médio por imóvel avançou 37,8%, passando de R$ 360 mil para R$ 496,1 mil. Entre as localidades de destaque estão a Área de Expansão Urbana Sul, Duque de Caxias, Jardim Ubirajara, Goiabeiras e Jardim Cuiabá.
A Região Sul contabilizou 807 unidades e R$ 339,3 milhões em transações. O valor médio dos imóveis foi de R$ 420,4 mil, alta de 65,64% em relação ao mesmo trimestre de 2025, a maior variação percentual entre as regiões analisadas. Coxipó, Parque Geórgia, Residencial Francisca Loureiro Borba e Parque Atalaia estão entre os destaques.
Na Região Norte, foram negociadas 523 unidades, que movimentaram R$ 300 milhões. O valor médio chegou a R$ 573,6 mil, crescimento de 16,83% em um ano. A Área de Expansão Urbana Oeste se destacou pelo volume de negócios, com 196 unidades e R$ 104,9 milhões movimentados. O levantamento também aponta transações de valores elevados em condomínios horizontais, como Florais dos Lagos, Florais do Valle e Villa Jardim.
A Zona Rural teve 27 transações, que somaram aproximadamente R$ 3,76 milhões. O valor médio por imóvel ficou em R$ 139,4 mil, queda de 25,89% na comparação anual. Entre as localidades citadas estão Coxipó do Ouro e Recanto Paiaguás.
APESAR DOS JUROS ELEVADOS – O resultado do setor imobiliário cuiabano ocorre em um contexto nacional marcado por juros elevados e projeções moderadas de crescimento econômico. Segundo o Boletim Focus do Banco Central de 19 de outubro de 2026, as expectativas do mercado para o ano apontavam crescimento de 1,83% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, inflação de 5,22% e taxa Selic de 13,25% ao ano.
No setor da construção civil, os dados citados no levantamento do Secovi-MT apontam crescimento de 5,4% nas vendas de imóveis no Brasil no primeiro semestre de 2026, além de aumento de 13,1% na oferta disponível no Centro-Oeste em comparação anual.
Em Mato Grosso, a atividade econômica ligada ao agronegócio, ao comércio e aos serviços contribui para a circulação de renda e a demanda por imóveis. O estudo relaciona o desempenho da capital à força econômica estadual e à expansão de diferentes eixos urbanos, incluindo áreas de condomínios horizontais nas regiões Norte e Oeste, o corredor Leste e áreas de expansão habitacional no Sul.
Os dados regionais mostram que o mercado não apresenta um comportamento uniforme: enquanto algumas áreas se destacam pelo volume de unidades, outras concentram negócios de maior valor. O recorde do terceiro trimestre reflete, portanto, o aumento do montante financeiro transacionado e a elevação do valor médio dos imóveis, mesmo diante da redução no número total de operações.
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