Mato Grosso reúne condições para ampliar sua presença no mercado internacional de energia limpa e produtos industrializados, especialmente diante da crescente demanda chinesa por tecnologias sustentáveis e alternativas de baixo carbono. Com uma das maiores estruturas agropecuárias do país e participação de destaque na produção nacional de biocombustíveis, o Estado busca avançar para uma nova etapa de industrialização, com mais tecnologia, inovação e agregação de valor às matérias-primas.
O potencial mato-grossense foi apresentado ontem (4), durante o Fórum Empresarial Brasil-China – Parcerias Estratégicas para o Futuro, realizado na China. O encontro discutiu oportunidades de cooperação entre os dois países nas áreas de inovação, sustentabilidade e transição energética, com participação de representantes da indústria e do setor empresarial.
Os números ajudam a dimensionar a capacidade produtiva de Mato Grosso. O Estado responde por 39% da produção brasileira de milho, 30% da soja e 70% do algodão. Na indústria de biocombustíveis, lidera a produção nacional de etanol, com 20% do total, e concentra 22% da produção brasileira de biodiesel.
Essa estrutura abre espaço para investimentos em novas cadeias industriais, especialmente na fabricação de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), que podem utilizar o etanol de milho como matéria-prima, e na produção de biometano, obtido a partir de resíduos agropecuários e agroindustriais.
A combinação entre disponibilidade de matéria-prima, capacidade de processamento e potencial energético coloca Mato Grosso em posição estratégica para participar da transição para uma economia de baixo carbono. A aproximação com empresas e investidores chineses pode acelerar esse processo, principalmente por meio do acesso a equipamentos, tecnologias e soluções industriais.
TECNOLOGIA E AGREGAÇÃO DE VALOR – Um dos principais desafios para a indústria mato-grossense é ampliar o processamento da produção dentro do próprio Estado, reduzindo a dependência da exportação de matérias-primas e aumentando a participação de produtos industrializados nas relações comerciais internacionais.
A cooperação tecnológica com a China surge como uma possibilidade para acelerar essa transformação. Entre as áreas de interesse estão automação industrial, inteligência artificial, biotecnologia e eficiência energética, ferramentas que podem elevar a produtividade, reduzir custos e ampliar a competitividade das empresas locais.
Durante o fórum, o presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), Silvio Rangel, defendeu uma relação comercial que vá além do fornecimento de commodities.
A proposta é ampliar as parcerias para incluir produtos industrializados, inovação e transferência de tecnologia, criando condições para que uma parcela maior da riqueza gerada pelas cadeias produtivas permaneça no Estado.
PRODUÇÃO E SUSTENTABILIDADE – Outro diferencial apresentado na agenda de cooperação internacional é a capacidade de Mato Grosso de conciliar produção agropecuária e conservação ambiental. Conforme os dados divulgados pela Fiemt, aproximadamente 60,4% do território estadual permanece coberto por vegetação nativa.
O Estado também dispõe de instrumentos de monitoramento e rastreabilidade, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), a Guia de Trânsito Animal (GTA) e tecnologias de sensoriamento remoto. A integração dessas ferramentas pode ampliar a transparência sobre a origem das matérias-primas e as condições de produção, exigências cada vez mais relevantes no comércio internacional.
A agenda ganha importância diante dos compromissos chineses de transição energética e descarbonização, que ampliam as oportunidades para fornecedores de energia renovável, biocombustíveis e produtos com menor pegada de carbono.
FÓRUM BRASIL-CHINA – O Fórum Empresarial Brasil-China – Parcerias Estratégicas para o Futuro foi promovido pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
No painel sobre inovação e sustentabilidade, Mato Grosso esteve representado por Silvio Rangel, ao lado de representantes da Suzano Ásia, da COFCO e da ApexBrasil, com mediação da FGV Agro.
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