Mato Grosso enfrenta um dos começos de safra mais secos das últimas quase três décadas. Entre 1º de setembro e 27 de outubro, o Estado acumulou apenas 186 milímetros de chuva, volume 33% inferior à média histórica de 276 milímetros para o período. O cenário representa o segundo início de safra mais seco dos últimos 27 anos, ficando atrás apenas de 2024, e acende um alerta para o desenvolvimento das lavouras de soja da temporada 2026/27.
Os dados fazem parte de um levantamento da EnsoAg/SmartCampo, elaborado com informações de satélite da Nasa. O estudo mostra que a deficiência de precipitação não está concentrada em poucos municípios. Em 66% do território mato-grossense, as chuvas ficaram mais de 25% abaixo da média histórica. Entre os 23 municípios avaliados, 22 registraram precipitação inferior ao padrão esperado.
A situação também aparece no recorte mais recente. Nos 30 dias entre 28 de setembro e 27 de outubro, Mato Grosso recebeu, em média, 124 milímetros de chuva, enquanto o esperado para o intervalo era de 189 milímetros. O déficit chegou a 34%.
O problema ganha importância porque parte das lavouras semeadas mais cedo já entrou na fase reprodutiva, período em que a disponibilidade de água é fundamental para o desenvolvimento das plantas e a formação dos grãos. A irregularidade das precipitações, associada às temperaturas elevadas, aumenta o risco de estresse hídrico e pode comprometer o potencial produtivo.
OESTE E MÉDIO-NORTE CONCENTRAM DÉFICITS – As regiões Oeste e dos Parecis aparecem entre as mais afetadas pela falta de chuva. Em Campos de Júlio, foram registrados apenas 89 milímetros nos 30 dias avaliados, volume 56% inferior à média histórica e o menor da série para esse intervalo.
Em Brasnorte, o acumulado foi de 80 milímetros, déficit de 54%. Comodoro registrou 88 milímetros, 52% abaixo do normal, enquanto Sapezal teve 90 milímetros, redução de 47%. Em Campo Novo do Parecis, a deficiência chegou a 39%.
No Médio-Norte, o cenário também preocupa. Lucas do Rio Verde apresentou déficit de 44%, Sorriso de 35% e Nova Mutum de 33%.
Além do volume de chuva, outro indicador reforça a preocupação com as condições das lavouras. O Índice de Severidade de Seca (ISSE), calculado por modelo de balanço hídrico da EnsoAg, alcançou média estadual de 0,60 na semana de 21 a 27 de outubro. É o segundo maior resultado para essa mesma semana em toda a série histórica.
Naquele intervalo, 52% da área estadual apresentou índice superior a 0,6, faixa classificada como moderadamente seca. No Oeste/Parecis, o indicador chegou a 0,65; no Sudeste, a 0,69; e no Centro-Sul, a 0,68.
CHUVA NÃO ELIMINOU O DÉFICIT – As precipitações registradas entre 28 de outubro e 1º de novembro trouxeram algum alívio para as lavouras, mas ainda ficaram abaixo do esperado. Foram 28 milímetros, em média, no Estado, volume 22% inferior à média histórica para esses cinco dias.
No Oeste/Parecis e no Médio-Norte, a chuva permaneceu mais de 25% abaixo do padrão esperado, indicando que a recuperação da umidade do solo ainda é desigual.
A falta de água também pode trazer dificuldades para o manejo agrícola. Em determinadas condições, o clima seco interfere na eficiência de aplicações para controle de plantas daninhas e pragas, exigindo maior monitoramento das áreas e podendo elevar os custos de produção.
Apesar do cenário de restrição hídrica, ainda não há elementos para dimensionar eventuais perdas na produção. O alerta está nas condições climáticas enfrentadas pelas lavouras: o avanço do plantio, por si só, não assegura o potencial produtivo da safra 2026/27.
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