O bolso do motorista e o caixa das empresas de transporte em Mato Grosso sofreram o maior impacto inflacionário do país no segmento de combustíveis leves na abertura deste mês. De acordo com os dados consolidados pelo Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), divulgados ontem (20), Mato Grosso registrou a maior alta do preço médio do etanol em todo o território nacional, com um salto de 3,96% na primeira quinzena de outubro, fazendo o biocombustível atingir a média de R$ 4,20 por litro nas bombas do estado.
O relatório de inteligência de mobilidade aponta que o encarecimento não ficou restrito ao etanol. O estado e a região Centro-Oeste foram fortemente castigados pela disparada do óleo diesel, combustível fóssil que atua como o principal motor de escoamento do agronegócio e da atividade logística local. No balanço regional, o diesel S-10 avançou 7,02% no Centro-Oeste, atingindo a marca de R$ 7,62 por litro — consolidando-se como a maior média regional do país para o combustível, superando os principais polos industriais do Sudeste e do Sul e ficando atrás apenas do isolamento logístico da Região Norte. O tipo comum no bloco também registrou forte elevação de 6,97%, comercializado a R$ 7,21/L.
DEPENDÊNCIA EXTERNA – A escalada agressiva nos preços do diesel em Mato Grosso e no Brasil reflete a volatilidade cambial do mercado internacional do petróleo e a incapacidade estrutural de refino das unidades nacionais da Petrobras para suprir o consumo interno de transporte rodoviário.
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o país mantém uma expressiva dependência externa, sendo que as importações responderam por 23,14% de todo o diesel A comercializado recentemente no país.
Como forma de tentar conter um repasse ainda mais destrutivo para o frete e para os alimentos, o Ministério da Fazenda oficializou uma suplementação de urgência de R$ 1,40 por livro no subsídio concedido aos importadores de diesel rodoviário, elevando o benefício de R$ 2,12 para R$ 3,52 por litro. Contudo, a canetada do governo federal não foi suficiente para blindar os postos de Mato Grosso da pressão de repasse das distribuidoras.
ETANOL AINDA COMPENSA EM MT – Apesar de ostentar a maior alta percentual do país (+3,96%), os analistas da Edenred Mobilidade ponderam que o etanol continua sendo a opção economicamente mais vantajosa para os motoristas de Mato Grosso em comparação com a gasolina, que manteve uma linha de estabilidade com leve oscilação de 0,15% (média nacional de R$ 6,73/L).
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