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Da urna ao carro novo: eleição de 2026 pode definir o custo do crédito para o consumidor

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Da urna ao carro novo: eleição de 2026 pode definir o custo do crédito para o consumidor

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Um estudo do IBEVAR-FIA Business School quantificou o tamanho do elo entre a decisão que o Brasil vai tomar nas urnas em outubro e o valor da prestação que chega à casa do consumidor. A resposta é maior do que a intuição sugere: cada ponto percentual de alta na Selic é repassado ao juro do crédito de recursos livres — cartão, crediário, financiamento de veículo — em uma proporção de 18,31 pontos no longo prazo, um efeito que a pesquisa classifica como “grande demais para qualquer varejista ignorar”.

Usando um modelo de correção de erros (ECM) sobre duas décadas de dados do Banco Central, o estudo mostrou que a Selic e a taxa de juros de recursos livres são cointegradas — ou seja, caminham juntas em uma relação de equilíbrio estável, com a Selic comandando o movimento. O choque de uma alta de juros chega ao bolso do consumidor em até 60 dias (impacto de curto prazo de +3,49 pontos) e se acomoda em cerca de um ano (meia-vida de 11,9 meses), até atingir o efeito pleno e permanente de +18,31 pontos.

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O impacto, porém, não é igual para todo o varejo. Bens duráveis — linha branca, eletrônicos, automóveis — sentem o choque de imediato, no crédito parcelado. Já os não duráveis, como alimentos e farmácia, praticamente não reagem à taxa de juros no curto prazo.

O estudo modelou dois cenários para o ano seguinte à eleição, com resultados amplamente divergentes:

Fonte: IBEVAR-FIA Business School

A diferença entre os dois cenários pode chegar a 4,5 pontos na Selic — uma distância suficiente, segundo o estudo, para separar “um varejo em expansão de um varejo em sobrevivência”. No cenário de continuidade, o consumo popular e os bens não duráveis tendem a ser favorecidos por transferência de renda, enquanto duráveis e imobiliário de média/alta renda são penalizados pelo crédito caro. Na alternância, a queda no custo de capital favoreceria de forma ampla o consumo discricionário, o mercado imobiliário privado, o agronegócio, a indústria e a bolsa de valores. 

O levantamento também simulou um terceiro cenário — o de fragmentação política — que traria alta volatilidade cambial e paralisia de investimentos, mas abriria espaço para aquisição de ativos descontados por quem mantiver caixa disponível. 

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Para o varejo, a recomendação do estudo não é apostar em um resultado eleitoral, mas se preparar para qualquer um deles. O IBEVAR-FIA descreve uma estratégia “no-regrets” — válida independentemente de quem vencer a eleição —, que combina redução da alavancagem de curto prazo, preservação de liquidez, capex modular condicionado a indicadores macroeconômicos e ganho de eficiência interna para reduzir a dependência de crédito caro. 

“No fim, a Selic de 2027 não vai ser decidida pelo Copom sozinho — vai ser decidida na urna. E é essa decisão, mais do que qualquer projeção econômica, que vai dizer se a prestação do fogão cabe ou não no orçamento do consumidor brasileiro”, resume Claudio Felisoni de Angelo, Presidente do IBEVAR e Professor da FIA Business School. 

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